A
DIMENSÃO DO CIBERESPAÇO SOB O PRISMA DA CIDADE DIGITAL DE
NITERÓI |
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Nas três últimas décadas, a Geografia tem sido marcada
por uma forma peculiar de operacionalizar essa complexidade da
sociedade. A desenfreada aceleração tecnológica deste final de século
tem procurado alterar essa concepção materialista do espaço, a partir
de uma “queima do espaço e da experiência de um tempo em intensificação”.
É o que Harvey (1993) chama de compressão espaço-temporal. A
velocidade dos media eletrônicos instaura uma nova forma de experienciar o tempo,
substituindo a noção de tempo-duração por tempo-velocidade e a
instantaneidade das relações sociais. O tempo advindo das novas
tecnologias eletrônico-comunicacionais é marcado pela presentificação,
ou seja, pela interatividade on-line,
fato constatado nas tecnologias de telepresença em tempo real que
alteram nosso sentido cultural de tempo e espaço. Na verdade, há toda uma falácia de que o espaço geográfico,
enquanto expressão material das práticas sociais no seu contínuo
movimento de transformação, perde importância diante da revolução
da telemática. Alguns autores sugerem o fim da geografia, afirmando que
se toda prática social é acompanhada por uma grafia deixada no espaço,
os domínios das relações sociais via imagens em tempo real tende a
abolir o espaço. Entretanto, a concepção materialista da sociedade
sugere a impossibilidade de existência do tempo sem o espaço e a matéria
em movimento. Acreditamos que qualquer alteração nos sistemas de
interação social será sempre precedida por uma materialidade espaço-temporal
representativa de um movimento de mutação e permanência de uma forma
específica de sociabilidade. É neste sentido que entendemos o ciberespaço. Para nós, o
ciberespaço é uma dimensão da sociedade em rede, onde os fluxos
definem novas formas de relações sociais. Ao contrário do censo comum
em torno do aniquilamento do espaço pelo tempo, parece-nos que, tal
como afirma Castells (1999, p.490), é o espaço material que organiza o
tempo, “estruturando a temporalidade em lógicas diferentes e até
contraditórias de acordo com a dinâmica socio-espacial”. Entretanto,
se o espaço material organiza o tempo, a emergência de um tempo-real
das redes comunicacionais colabora para uma sensação de aniquilamento
do espaço pelo tempo, na forma de um espaço virtual. De um modo geral,
podemos dizer que o tempo-real também implica a organização de novas
relações sociais que se expressam na formação de um espaço virtual
e na reestruturação do espaço concreto preexistente, provocando
intenso processo de inclusão e exclusão de lugares e pessoas na rede. Neste estudo, o ciberespaço é concebido enquanto um
conjunto de diversas redes comunicacionais informatizadas, tais como a
Internet, Kidsphre, Zamir etc. O espaço de fluxos de imagem, som,
informação e de socialidade definido pelo ciberespaço expressa uma
“organização material das práticas sociais de tempo compartilhado
que funciona por meio de fluxos” (Castells, p.436). Cabe apenas
lembrar que tais redes não estão somente no espaço de fluxos. De
acordo com Levy (1993, p.26), elas constituem o próprio espaço.
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